As perspectivas históricas e teóricas do direito à
educação: conceitos e concepções, avanços e recuos
“Vale, de partida, lembrar
que o estabelecimento dos direitos humanos decorreu das tentativas das Nações
Unidas de criar uma estreita cooperação e solidariedade internacional, para que
a humanidade ficasse protegida das aberrações do nazismo e do fascismo,
expressas durante as duas grandes guerras do século XX” (MENGOZZI, 1992).
Podemos dizer que o direito a educação
inicia-se com a preocupação das Nações Unidas em proteger a todos e
principalmente as crianças assegurando a elas dignidade, padrão de vida digno,
saúde e moradia.
A teoria do capital humano nos remete a
pensar que uma educação técnica não mais resulta em dizer que só com uma
qualificação profissional se alcança desenvolvimento para o trabalho, quando se
assegura o direito á educação para todos, a escola passa a ser um caminho
democrático e aberto a inclusão de toda a sociedade, não mais vemos a
necessidade de que a escola seja somente técnica ou formadora somente para o
desenvolvimento industrial. Hoje temos as escolas técnicas como parte do
universo educacional e que forma alunos para este fim. O modelo atual permite
que gestores administrem melhor a estrutura educacional privilegiando o saber como
ponto de partida no desenvolvimento educacional.
Na teoria critica ou teoria da cidadania
plena, temos uma visão mais abrangente de como a educação passou a ser mais
democrática, porém tornando o ser humano critico, ético e de formador de
opinião. Aqui a figura do gestor passa a ser um ponto de equilíbrio entre os
profissionais das escolas, é ele quem vai nortear os rumos da escola através de
um Projeto Político Pedagógico elaborado em conjunto com a escola, professores
e comunidade para que a escola se mostre um caminho em que a educação no país passe
a ser um degrau de conhecimento e oportunidade para as mais variadas camadas da
sociedade.
“Os direitos humanos foram invocados para assegurar um nível de vida
adequado para todas as pessoas, por meio da transformação de compromissos
políticos em obrigações legais e obrigações para todos os governos. Assim, não
é só obrigação
de cada um(a) de nós respeitar as diferenças e os direitos humanos de
todas as pessoas. É também dever do Estado desenvolver políticas públicas para
que esses direitos se efetivem” (HOYE HADDAD, 2005).
Em algumas
localidades no Brasil temos vários tipos de população com características
bastante diferentes, mais particularmente no Distrito Federal, enfrentamos
vários fatores que diferenciam o modo de ensino porque as populações têm níveis
diferentes e a escola deve se adequar a sua clientela.
Mais
explicitamente na Cidade Estrutural que tem na sua maioria pessoas de
baixíssima renda, o ensino se torna mais desafiador porque o índice de evasão é
crescente, as famílias dependem de ajuda social como bolsa família, bolsa
escola e bolsa para compra de material escolar. A escola recebe além do PDAF,
livros do FNDE, verba para Educação Integral, entre outros. Mesmo com tudo isto
se percebe que ainda falta muito para que a educação de qualidade possa ser
fator de maior destaque.
Como a cidade
ainda não é toda regularizada, falta saneamento básico e oportunidades
culturais que agreguem conquistas e bem estar
para toda população e assim refletindo diretamente na educação dos
alunos, as políticas publicas ainda não oferecem o desenvolvimento que a
população necessitam.
O gestor
ainda carece de ajuda para realizar uma boa administração, já que sofre
interferência do poder publico e político em suas ações, muitas vezes a escola
se prepara para dar um salto de qualidade e é ceifada nas suas ações deixando
de realizar projetos para o bem da comunidade.
Mesmo com
toda dificuldade a gestão escolar ainda consegue a duras penas contar com
auxilio para a implantação de tecnologias de informações e comunicações, os
laboratórios de informática ainda são locais de quase abandono dentro das
escolas porque ainda faltam profissionais capacitados para ensinar os alunos, a
internet na maioria das escolas ainda é lenta e não atendem a todos os
profissionais, também o gestor tem problemas com a capacitação dos professores
e dificuldades para informatização do ensino dentro das salas de aula.
O direito á
educação ainda está longe de ser acessível a todos no Brasil, por um lado temos
escolas que atendem a todas as crianças no DF, por outro lado não temos as
condições básicas para que essas mesmas crianças se desenvolvam e possam no
futuro disputar de igual para igual, um lugar ao sol com alunos de outras
classes sociais.
Mesmo com
todas as adversidades a educação no Distrito Federal é uma das melhores do
país, nossas escolas conseguem dar oportunidades a milhares de crianças, o
índice de analfabetismo infantil também é pequeno, mas ainda temos muito que
melhorar, o papel do gestor é fundamental no processo pedagógico e deve ser
fator preponderante no sucesso educacional.
“O direito à
educação no Brasil – Relatoria Nacional para o Direito
Humano à
Educação” (São Paulo: DHESC-Brasil, 2004), de Sérgio HADDAD
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